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A Caixa Econômica Federal não vai alterar as
condições de financiamento imobiliário diante da crise econômica mundial. A
posição é válida tanto para contratos de pessoas físicas quanto jurídicas. A
informação é da superintendente nacional de Habitação da Caixa, Bernadete
Maria Pinheiro Coury.
“Com relação especificamente a esse momento de crise, a orientação que nós
temos e que seguimos é que a Caixa manterá as condições de financiamento.
Não pretendemos aumentar os juros ou mudar prazos e nem alterar a cota de
financiamento. Os prazos [continuam] de até trinta anos e as cotas de até
100%”, afirmou ontem (20) em São Paulo, durante a quarta edição do Fórum
Nacional de Sustentabilidade da Construção.
De acordo com Coury, a instituição financeira não verificou até o momento
diminuição no ritmo de fechamento de contratos de financiamento imobiliário
praticados pelo banco. “Até a semana passada, o ritmo de contratação não foi
alterado. Mas, a gente acredita que se não houver um recrudescimento da
greve [dos bancários], isso pode ficar um pouquinho comprometido”,
considerou.
A superintendente admitiu, porém, que as construtoras podem eventualmente,
no atual momento de crise, diminuir a quantidade de imóveis lançados no
mercado. “Os empresários estão dizendo que, eventualmente, vão reavaliar
lançamentos. A Caixa vai agir sempre visando ao atendimento do mercado. Se
houver uma redução de oferta de unidades habitacionais, a gente vai
contribuir para que essa redução não exista, mantendo a oferta de crédito”,
disse.
Questionada se recomendaria às pessoas fechar contratos de financiamento
diante da atual conjuntura econômica, Coury afirmou que “a qualquer momento”
a decisão de assumir um compromisso em longo prazo tem de ser avaliada pela
própria pessoa, de acordo com a condição dela.
“No momento atual, se ela vier na Caixa buscar um crédito, qual a certeza
que ela vai ter? Que ela está assumindo um crédito com uma taxa de juros que
nós garantimos que, com certeza, está entre as mais baixas do mercado. Se
ela tiver condição, pode assumir sem medo”, disse.
De acordo com a Empresa Brasileira de Estudos sobre Patrimônio (Embraesp),
os lançamentos residenciais na cidade de São Paulo totalizaram 23.112
unidades no período de janeiro a agosto deste ano, um crescimento de 37,7%
em relação ao mesmo período de 2007.
Empresários do setor também ressaltaram que, por ora, não notaram diminuição
dos negócios e tampouco a fragilização das corporações do setor, apesar da
desvalorização das empresas de construção na bolsa de valores.
“Em janeiro deste ano, as ações da Cyrela valiam R$ 29. Na última
sexta-feira, fecharam em R$ 11. E eu posso assegurar que a empresa hoje é
muito melhor do que era em janeiro. A empresa só melhorou, só cresceu, só
ganhou dinheiro, só está mais sólida. [A desvalorização] não afeta fluxo de
caixa, é uma relação acionista. Afetaria em uma busca de capitalização
futura da empresa, mas nós não vamos fazer [capitalização] agora por uma
razão óbvia, nós não vamos vender ações da empresa por R$ 11”, disse
Ubirajara Spessotto, diretor-geral da Cyrela Brazil Realty. |