As fraudes em licitações descobertas na "Operação Mão de Obra" não
impediram que a Ipanema e a Conservo, duas das três empresas
envolvidas no esquema ilegal, continuassem recebendo recursos da
União. O governo continua a fazer empenhos (reserva de recursos) e
pagamentos em favor dessas empresas.
O Ministério do Planejamento, por exemplo, fez um empenho no valor
de R$ 39.949,61 à Conservo dois dias após estourar o escândalo. O
empenho é referente ao reconhecimento de dívida adquirida na
repactuação de preços de contratos com o órgão. A empresa foi
apontada pela Polícia Federal como líder da organização criminosa.
Para ver o empenho,
clique aqui.
Questionados pelo Contas Abertas sobre como ficará a situação dos
contratos que a Conservo ainda mantém com o governo, funcionários
garantem que a empresa vai continuar funcionando normalmente.
Vários empenhos também foram feitos em favor da empresa Ipanema,
todos no dia 27 de julho. A Delegacia do Trabalho do Distrito
Federal empenhou quase R$ 161 mil para a prestação de serviços de
limpeza e conservação no órgão. A Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab) no estado de Tocantins também empenhou R$
2.399,74 e R$ 726,21 para pagamentos de recolhimento do INSS sobre
serviços prestados pela empresa.
Clique aqui, para ver a cópia dos empenhos feitos pela Delegacia
do Trabalho e pela Conab.
Além dos empenhos que serão pagos posteriormente, a conta bancária
da Ipanema recebeu alguns pagamentos no dia 27 de julho feitos pela
Agência Nacional de Telecomunicações do Estado de Goiás. O primeiro
depósito de R$ 6,9 mil é referente à parcela do empenho no valor de
R$ 68,3 mil para contrato de vigilância. Outros R$ 4,5 mil foram
depositados na conta da Ipanema como parte do pagamento do empenho
no valor de R$ 35.329 mil, feito pela também para prestação de
serviços de vigilância. Os dados são do Sistema Integrado de
Administração Financeira (Siafi).
Os pagamentos e empenhos feitos recentemente não chegam nem perto do
valor total recebido, de 2000 até julho deste ano, pelas empresas
Ipanema e Conservo. Neste período, as duas empresas receberam quase
meio bilhão de Reais em contratos com o governo. A Polícia Federal
ainda está investigando se as irregularidades atingem esse montante
e todos os contratos das empresas.
Para assegurar contratos milionários com órgãos públicos e deixar
para trás as concorrentes, as empresas envolvidas no esquema de
corrupção pagavam subornos e propinas a funcionários do governo. Em
troca, os funcionários envolvidos forneciam informações
privilegiadas e alteravam editais. As empresas concorrentes, por sua
vez, se comportavam como figurantes apresentando propostas "de
fachada" ou desistindo da licitação.
Aline Sá Teles
Do Contas Abertas
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