Uma sondagem realizada pelos alunos do curso de Teoria da Corrupção da
Universidade de Brasília (UnB), coordenado pelo professor de Ciência
Política Ricardo Caldas, mostra que 90% dos brasilienses não confiam nos
políticos. Essa pesquisa foi feita com 839 pessoas no período de 6 a 15
de setembro deste ano.
Dos entrevistados, 72% também não acreditam no governo. Já as Forças
Armadas e a Polícia Federal são órgãos de credibilidade. Apenas 27% não
confiam neles. Entre os menos confiáveis, estão a Câmara Federal com
85%, seguido do Senado com 73% e a Justiça com 53%.
Com relação ao trabalho desempenhado por órgãos como a Controladoria
Geral da União – CGU, 68% afirmam desconhecer. No entanto, o Tribunal de
Contas da União – TCU parece ter mais visibilidade perante a sociedade.
O percentual entre os que conhecem e os que desconhecem seu trabalho é
mínimo, atingindo respectivamente, 41% e 55%.
Um dado curioso é o ranking das profissões em que a população mais
acredita. Em primeiro lugar está o bombeiro, seguido pelo professor. O
terceiro melhor colocado é o médico. Os últimos da lista são os que,
segundo a pesquisa, não merecem confiança: os juízes e promotores.
Em contrapartida, o brasileiro ainda vê saída para o problema. Prova
disto é que mais de 80% acredita no combate à corrupção. Porém, a
sondagem procurou avaliar quem seriam os responsáveis por esse combate
na opinião dos brasilienses. Os destaques foram o Ministério Público da
União – MPU, a Polícia Federal e a Sociedade Civil.
De acordo com Caldas, o objetivo da sondagem é conscientizar a população
da importância de se discutir sobre política e a forma como ela é
exercida em nosso país, pois ao mesmo tempo em que a sociedade critica e
demonstra certa desconfiança em relação aos políticos, ela os elege.
Logo faz parte deste quadro. Outro ponto relevante, segundo o professor,
é o fato da nossa cultura ser tolerante à corrupção. “A preocupação não
é quem rouba e sim, a quantidade deste roubo”, afirma Caldas.
Com o tema em voga, ainda por conta do Dia Internacional do Combate à
Corrupção, entidades sociais se reuniram em palestras e eventos para
discutir medidas de prevenção. Sendo assim, nada mais válido que escutar
a opinião de quem faz a democracia e contribui para a melhoria do quadro
político: o povo.