O Ministério Público Federal no
Mato Grosso do Sul (MPF/MS) denunciou à Justiça o ex-coordenador
do Programa Bolsa Família em Antônio João, interior do estado.
Ele é acusado de inserir dados falsos no sistema do programa
para
conseguir vantagem financeira. De 2006 até fins de 2008, recebeu
indevidamente o benefício do Programa Bolsa Família, desviando
R$ 2.116. Entre os beneficiários, constavam parentes do
ex-coordenador e até o gato de estimação da família, de
nome Billy. O MPF pede a condenação pelo crime previsto no
artigo 313-A do Código Penal, que prevê pena de reclusão de dois
a 12 anos e multa.
O MPF também pede à Justiça a condenação de Eurico por
improbidade administrativa. Neste caso, as penas são aquelas
constantes nos incisos II e III do artigo 12 da Lei 8.429/92.
Entre elas, ressarcimento integral do dano, multa de até cem
vezes o valor desviado, perda da função pública e suspensão dos
direitos políticos de cinco a oito anos.
Para o MPF, "os valores desviados pelo réu não foram vultosos. O
ato, no entanto, é extremamente reprovável, uma vez que as
verbas federais desviadas eram destinadas justamente às pessoas
que mais necessitam de auxílio governamental para ter uma vida
ao menos digna. O desvio de valores do Bolsa Família, com o
cadastramento de pessoas fictícias, não apenas vilipendia os
cofres do governo federal, como também acarreta a não inclusão
de famílias necessitadas no programa. Em virtude disso, a
punição para o acusado deve ser exemplar".
A Justiça Federal, agora, decide se aceita ou não a denúncia. Se
for aceita, o ex-coordenador torna-se réu na ação penal e na
ação por improbidade administrativa.
Entenda o caso - A fraude foi descoberta em 23
de setembro de 2008, quando um agente comunitário de saúde do
município de Antônio João pediu o comparecimento de Billy Flores
da Rosa ao Posto de Saúde da Família (PSF). O objetivo era tomar
as providências cabíveis com relação às pessoas cadastradas no
programa (peso e estatura, entre outras), conforme exigem as
normas estabelecidas para recebimento do benefício. Para
surpresa do agente, a esposa do ex-coordenador informou que
Billy era o seu gatinho de estimação.
Solicitada a comparecer ao PSF, ela informou que o nome
cadastrado estava errado, sendo o correto o de um sobrinho
residente em outro município. Na sequência, valendo-se do cargo
de gestor municipal do Programa Bolsa Família, Eurico passou a
efetuar alterações no cadastro dos beneficiários. Substituiu o
nome de Billy pelo de um sobrinho. Depois, por uma sobrinha. Por
último, substituiu o nome de sua esposa pelo de sua cunhada,
como beneficiária legal dos menores. Mesmo tendo sido
descoberto, ele continuou sacando o benefício até dezembro de
2008.
Naquele mês, diante de servidores públicos municipais, membros
da comissão responsável pela apuração dos fatos, Eurico afirmou
que sua esposa era beneficiária do programa pela inclusão, de
forma ilegal, desde o ano de 2006, de um sobrinho, e que recebia
mensalmente, desde sua inclusão, a quantia de R$ 62. Disse ainda
que estava passando por dificuldades financeiras e inventou um
nome fictício para colocar no cadastro para que a beneficiária
recebesse R$ 20 a mais, fato que perdurou por quatro ou cinco
meses.