Principal programa social do país, o Bolsa Família
tem sido utilizado nesta campanha municipal como uma nova modalidade de
cabresto eleitoral. A informação é de reportagem de Eduardo Scolese
publicada na Folha de S. Paulo desta quarta-feira.
Candidatos a prefeito e a vereador usam o programa federal de transferência
de renda tanto para agradar o eleitor, oferecendo a ele um cartão de
beneficiário em troca do voto, como para ameaçá-lo caso vote em algum
candidato da oposição.
Nas últimas três semanas, a Folha encontrou casos de uso eleitoral do
programa no interior de Ceará e Piauí e ouviu denúncias informais em
Paraíba, Bahia e Rio Grande do Norte. Promotores dizem que o principal
obstáculo à fiscalização é o medo dos eleitores de serem perseguidos após a
denúncia.
As eleições deste ano são, na prática, a primeira grande experiência
municipal do uso do Bolsa Família para arregimentar votos. Neste ano, o
governo reajustou em 8% o valor do benefício, anunciou um programa de
qualificação de profissionais específico aos beneficiários e estendeu o
benefício a jovens de 16 e 17 anos --iniciativas tidas como eleitoreiras
pela oposição. |