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Local do acidente
 

A Fundação Nacional do Índio (Funai) confirma que o avião Boeing 737-800 da Gol caiu ontem (29) dentro da terra indígena Capoto Jarina, acima do Parque do Xingu e abaixo da Terra Kayapó, todas áreas contínuas homologadas. A área está localizada no norte do Mato Grosso entre os rios Xingu e Jarina, cerca de 200 quilômetros a oeste do município de Peixoto de Azevedo e da rodovia BR-163.

 
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Foto:  FAB
Destroços do Boeing 737-800, da Gol Linhas Aéreas
 
 
Foto:  FAB
Destroços do Boeing 737-800, da Gol Linhas Aéreas
 
 
Foto divulgação
Boeing 737-800 da Empresa GOL que caiu
 
 
Foto FAB
Destroços do Boeing 737-800, da Gol Linhas Aéreas
 
 
 
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02/11/06 - Sitepopular/ Por Luiz Leitão

Insegurança no ar

 

O desrespeito a que o amadorismo da administração pública está submetendo os usuários do transporte aéreo não tem, além de precedentes, qualquer justificativa. Além de tudo, a afronta na forma de eufemismo com que o ministro da Defesa, Valdir Pires, tenta minizar a questão, atinge a inteligência da população. Sua Excelência tem a desfaçatez de dizer que a crise é de “fundo emocional”, pedindo ânimo à população, como se estivesse se dirigindo a um time de jogadores prestes a perder uma partida.

Perdendo os passageiros estão mesmo, a paciência, as conexões com outros vôos, o direito ao legítimo descanso num feriado prolongado; os donos de pousadas, hotéis, empresas de táxi aéreo, agências de turismo e outras empresas do ramo amargando enormes prejuízos . Há o tempo, que não volta, para aqueles que planejaram uma viagem com vários meses de antecedência, ou daquela passageira que perdeu o enterro da mãe porque seu vôo não saiu.

O presidente convoca uma reunião de emergência – como se questão pudesse ser resolvida em horas ou dias - e o ministro diz que vai chamar controladores de vôo aposentados, que, com um breve curso de reciclagem, poderão assumir as funções dos que estão temporariamente afastados em razão da tragédia do avião da Gol. Duvidosa essa assertiva a respeito dos controladores aposentados. Há quanto tempo estarão fora de serviço?

Em 2003 houve um episódio de quase-colisão nos céus da capital de São Paulo – um, que chegou ao conhecimento geral, mas não é um acontecimento tão raro – e discutiu-se o problema dos baixos salários e da sobrecarga de trabalho dos operadores. Não era o caso de se dizer se iria acontecer uma colisão nos céus, mas sim de quando isto se daria. Como de costume, certas questões como criminalidade, acidentes e outras acerca de episódios lamentáveis são tratadas, no calor do momento, como prioridade máxima, providências são anunciadas e, geralmente, fica tudo por isso mesmo.

Como podem profissionais que têm sob sua responsabilidade milhares de vidas, receber salários tão aviltados e ser submetidos a condições de trabalho estressantes? Talvez agora, neste caso que, democraticamente, atinge as pessoas “comuns” , os parlamentares, os juízes e outras autoridades indistintamente, uma solução possa aparecer.

Houve corte de verbas para o fundo do setor, que é alimentado com as tarifas que os usuários pagam, embutidas nos preços das passagens, além da taxa de embarque. Todos os serviços que a aviação brasileira utiliza, como taxas de pouso, de pernoite, de fonia ( as comunicações entre aeronaves e torre de controle) e outras, são cobrados das companhias aéreas pela Infraero e, obviamente, repassados aos usuários. Donde, incabível que sejam submetidos a esta situação degradante, pessoas dormindo no saguão dos aeroportos, muitas famintas, sem poder tomar banho.

E por que o corte, vulgo contingenciamento, das verbas? Para ajudar a fazer o tal superávit primário, ou o equilíbiro das contas do governo. Dinheiro que também é desviado, para o mesmo fim, do controle da saúde do gado, da manutenção das rodovias e sabe-se lá de que outros setores mais.  Todavia,  fazer superávit à custa da segurança aérea parece um pouco demais.

Mas a tese simplista do ministro da Defesa a respeito do “fundo emocional” da crise não está de todo errada. Que o digam os viajantes, submetidos a todo tipo de emoções negativas: angústia, frustração, tristeza, mágoa.

Não, não é tão simples assim. O acidente na Amazônia se deu por uma conjunção de fatores, e, se é verdade que o controle de Brasília tentou, por sete minutos, contato a tripulação do Legacy, por que motivo não fez o mesmo com a do Boeing, dando-lhe ordem para se desviar do curso ou mudar de altitude?

Se não há apenas um culpado pela tragédia, por que razão reter os pilotos do avião americano no Brasil até, sabe-se lá quando, a conclusão das investigações?

Uma coisa é certa: os usuários da aviação devem gratidão aos controladores pela greve branca, que não se resume a salários, antes pelo contrário, pois, reclamando da não observância do período de pausa ou descanso e outras questões,  está dirigida à melhoria da segurança de vôo. O que não torna menos desastrada a atuação do governo federal, que  nesta questão.

Para finalizar, uma pergunta: por que a aviação civil tem de ser administrada por militares que, por preconceito, fizeram cancelar, no meio deste ano, um concurso público para a contratação de pouco mais de uma centena de controladores civis?

luizleitao@ebb.com.br

 
 

 

 



 


 

 

Sitepopular / Por Luiz Leitão