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Liderico Meira

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COISAS DE LIDERICO

28/03/2005
 

FILHOS DO TALVEZ OU DO QUEM SABE TEM MORADIA GARANTIDA EM EUNÁPOLIS - PRESÍDIO

 
 

Beira-Mato assume o comando do poder paralelo e aterroriza Eunápolis

      Foi em um dia qualquer, no antigo maior povoado do mundo, que ficou conhecido como o DIA DO TRAFICO. No dia em que o mundo temia um novo atentado nos EUA, alguns anos após a destruição do World Trade Center, Eunápolis foi dominado ontem pelo terrorismo do narcotráfico. Ao estilo de um golpe de Estado e com o objetivo de assumir o controle doPresos sendo transferido de Eunápolis Bahia poder paralelo na cidade, o traficante Fernando do Descobrimento, o Fernandinho Beira-Mato, comandou um motim no PRESÍDIO LAR DOCE LAR, que resultou em quarenta mortos - entre os quais o traficante Max do Quinto Comando - dois feridos e seis reféns.
      Os efeitos do golpe do Comando Amarelo, que sepultou a classificação de "segurança máxima" aplicada ao PRESÍDIO LAR DOCE LAR, se estenderam pela cidade. Nove bairros tiveram o comércio fechado por ordem de traficantes, escolas foram metralhadas, um supermercado invadido e a faculdade suspenderam as aulas, mesmo distante 13 Km de Eunápolis.

      Não fiquem assustados, ainda não aconteceu essa matéria noticiada acima, mas não tenham como surpresa que muitos estão contribuindo com a vinda dessas tragédias.
      Temos os filhos abandonados da construção da barragem, teremos os filhos abandonados dos empreiteiros da Veracel, com ajuda das autoridades  teremos moradia para todos esses filhos do talvez ou do quem sabe... com a chegada do Presídio, teremos também a família dos presidiários, teremos os ajudantes logísticos para fugas dos presidiários, teremos ¨AMIGOS ¨ dos presidiários, então todos seremos uma só família, não precisamos de investidores... afinal já temos a nossa monocultura dos eucaliptos...para que aumentar o nosso comércio!  para que sermos auto suficientes! se temos o Estado como provedor... porque quem dá a moradia para os bandidos, dá também aos vizinhos que somos, uma mesada, algo como se fosse uma ajuda de custos, para evitar os transtornos com a péssima companhia que estão reunidas no nosso quintal.
     Trocar presídios por intranqüilidade é uma prova de como Eunápolis  pensa pequeno.
       Definitivamente, a região de Eunápolis não está pronta para o desenvolvimento. Pelo menos com as "lideranças" que possui atualmente, não.
      É o que se conclui do argumento raso de prefeitos que reivindicam ao governo do Estado presídios pensando na "geração de empregos" que estas obras proporcionarão. Em vez de pedir estradas duplicadas e de boa qualidade, escolas, postos de saúde, cursos técnicos e de ensino superior, computadores e equipamentos de informática, viaturas policiais, remédios para pessoas carentes e outros itens - ficaríamos semanas inteiras relacionando-os aqui e, como se verifica, não há espaço nem tempo para tanto - prioritários e emergenciais, nossos "governantes" suplicam no Palácio do Governo a construção de penitenciária em nosso município.
      Eis a felicidade geral do Governo - que junta a fome à vontade de comer. O Estado busca a todo custo se livrar de presos perigosos, da região metropolitana, das grandes cidades,  onde há mais eleitores e onde se concentra a mídia de repercussão nacional. O que fazer, então? Nada mais justo do que mandá-los para o interior, especialmente para o extremo sul, onde os prefeitos estão afoitos e prontos para recebê-los de braços abertos. Disposição não falta até para uma recepção em grande estilo, com apresentações de bandas marciais e fanfarras - orgulho de nossa cultura - e queima de fogos de artifício.
O governador Paulo Souto fica muito feliz quando vem ao Extremo Sul. Sente-se à vontade, em casa, porque sabe que aqui não encontrará nenhuma cobrança mais "forte" do que a construção de presídio. Orçamento e vontade para este tipo de obra não faltam.
      Nossas "lideranças" não estão prontas nem preparadas para elaborar um Plano Regional de Desenvolvimento, no qual devem constar reivindicações que realmente não vão de encontro à vontade da população. Sim, nossa região necessita de empregos - e de muitos, aliás! No entanto, precisamos muito menos de penitenciárias. Além disso, elas não são a única forma de criação de vagas no mercado de trabalho. Por que não cobrar do Estado a implantação da infra-estrutura necessária para a atração de empresas e outros investimentos privados para a região? Não, ninguém - entre nossos "líderes políticos" - enxerga a necessidade de cobrar isso. Todo mundo aplaude o governador este, inclusive, conhece bem o Extremo Sul, principalmente Eunápolis, que antigamente só figurava na pagina policial. Mas ninguém - a não ser as vítimas, suas famílias e seus amigos, enlutados de dor - se lembra de pedir segurança ao Estado quando da ocorrência de homicídios, latrocínios, estupros, assaltos, seqüestros e outros crimes.
        Os governantes têm mandatos transitórios e só pensam no momento - de preferência, eleitoral. Mas a população é permanente. Nem mesmo são destinadas contrapartidas para suprir as carências regionais no que se refere à crise social (pobreza, analfabetismo, desemprego etc.) e à insegurança pública. Portanto, o extremo sul, é preciso pensar grande! Deixar de lado o instante, a dificuldade da hora, e saber que o futuro
depende do que fazemos hoje. A região já está imersa em um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento. O que virá, então, com o passar do tempo, à medida que mais e mais presídios forem instalados aqui?

"Antes de começar o trabalho de modificar o mundo, dê três voltas dentro de sua casa."
 

 

        
                                                                Liderico Meira dos Santos

 

Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autores.

 
Coluna de responsabilidade exclusiva do autor.

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