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PAPO DE BOTECO, serve para toda as classes, até para os
asininos e muares, é nesse paraíso que a vaidade emudece, as críticas
enaltecem e os desabafos afloram. Me fale quem nunca desabafou num boteco
que atire a primeira garrafa. Nesses Oásis etílicos que descobrimos qual a
classe que pertence as pudorosas e prestativas Donas de Casas, no subir
dos vapores da cachaça alguém sempre fala da sua esposa, de uma forma tão
depreciativa que minha criatividade leva a imaginar formas tão asquerosas
que jamais as classes dos muares, dos asininos, desejariam fazer parte de
tão ignóbil criatura, chego a visualizar um ser humano como se fosse uma
doença enrolada no pano, outras tem um hálito como se fosse o
arroto da jibóia, tem aqueles detalhistas que formaliza as vestes das suas
senhoras como se fosse o enredo do saudoso Joãozinho trinta, "RATOS E
URUBUS LARGUEM MINHA FANTASIA", ouvir uma certa feita de um esposo de uma
vereadora, depois do quinto rabo de galo, num soluço entrecortado, dizia
que preferia dormir de valete ( o conhecido 69 ) e cheirar o caldo do
mocotó da edil, que aspirar a fedentina que saia do esgoto bucal da prima
carnuda do gambá. Ele falava que existia esse parentesco, por que quando
ela arrotava aparecia sempre dois gambazinhos chamando a vereadora de
mainha.
No PAPO DE BOTECO sempre inicio com uma cachaça, mesmo
detestando a mardita pinga, sinceramente não gosto de cachaça, eu adoro é
o efeito, fico rico, mais bonito, mão aberta, depois vem uma loira...
geralmente as loiras são a preferência nacional, ninguém gosta das
escurinhas, talvez pelo incidente ocorrido com Eduardo do Mamão que
chegou em casa e sua digníssima perguntou onde ele estava para chegar
aquela hora, o bêbado na sua trava língua, respondeu que estava bebendo
mais zebir, foi a sua primeira surra, ele apanhando e a esposa querendo
saber quem era a tal ZEBIR, resultado nunca mais ele bebeu a MALZEBIR.
Foi num PAPO DE BOTECO em Itaparica que tive a honra de
ouvir o desabafo do João Ubaldo Ribeiro, contando o flagra que sua esposa
lhe deu, abrindo a porta do banheiro e presenciou a mais inusitada e
patética cena, ele fazendo sexo manual, alguém curioso fez a pergunta de
praxe, qual foi sua reação João Ubaldo? Como sempre ele calmamente
respondeu, observei para a minha quase preferida esposa que estava fazendo
amor com a pessoa que mais amo nessa terra..ou seja, ele mesmo.
No PAPO DE BOTECO existe as filosofias cabotinas, o velho
do pastel, com seu copo de cachaça, observa o muquirana do gesso, com sua
lata de cerveja, declama: O homem é igual a uma lata, enquanto uma mulher
chuta a outra cata.
No Bar do Zé Íris, dois amigos de farra, no PAPO DE BOTECO,
pergunta qual a diferença da mulher, da laranja, e do jabuti? Um bêbado
ouvindo essa conversa, escora no final do balcão, soluça, cospe, e
resmunga totalmente assustado, ... eita miséra, tão chupando até o jabuti.
Nelson Rodrigues já dizia que A VIDA É A ETERNA PROCURA DE
UM OUVINTE.
Dedico essa frase abaixo ao meu amigo e ex-frequentador do
PAPO DE BOTECO o brilhante jornalista PAULO HENRIQUE.
O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas
na intensidade em que elas acontecem. Por isso acontecem momentos
inesquecíveis, coisas inexplicáveis, e pessoas incomparáveis. ( Fernando
Pessoa )
ISSO SÓ ACONTECE
EM PAPO DE BOTECO...
Liderico
Meira dos Santos
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