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Liderico Meira

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Papo de Boteco

19/10/2005
 

PAPO DE BOTECO, serve para toda as classes, até para os asininos e muares, é nesse paraíso que a vaidade emudece, as críticas enaltecem e os desabafos afloram. Me fale quem nunca desabafou num boteco que atire a primeira garrafa. Nesses Oásis etílicos que descobrimos qual a classe que pertence as pudorosas e prestativas Donas de Casas, no subir dos vapores da cachaça alguém sempre fala da sua esposa, de uma forma tão depreciativa que minha criatividade leva a imaginar formas tão asquerosas que jamais as classes dos muares, dos asininos, desejariam fazer parte de tão ignóbil criatura, chego a visualizar um ser humano como se fosse uma doença enrolada no pano,  outras tem um hálito como se fosse o arroto da jibóia, tem aqueles detalhistas que formaliza as vestes das suas senhoras como se fosse o enredo do saudoso Joãozinho trinta, "RATOS E URUBUS LARGUEM MINHA FANTASIA", ouvir uma certa feita de um esposo de uma vereadora, depois do quinto rabo de galo, num soluço entrecortado, dizia que  preferia dormir de valete ( o conhecido 69 ) e cheirar o caldo do mocotó da edil,  que aspirar a fedentina que saia do esgoto bucal da prima carnuda do gambá. Ele falava que existia esse parentesco, por que quando ela arrotava aparecia sempre dois gambazinhos chamando a vereadora de mainha.

No PAPO DE BOTECO  sempre inicio com uma cachaça, mesmo detestando a mardita pinga, sinceramente não gosto de cachaça, eu adoro é o efeito, fico rico, mais bonito, mão aberta, depois vem uma loira... geralmente as loiras são a preferência nacional, ninguém gosta das escurinhas, talvez pelo incidente  ocorrido com Eduardo do  Mamão que  chegou em casa e sua digníssima perguntou onde ele estava para chegar aquela hora, o bêbado na sua trava língua, respondeu que estava bebendo mais zebir, foi a sua primeira surra, ele apanhando e a esposa querendo saber quem era a tal ZEBIR, resultado nunca mais ele bebeu a MALZEBIR.

Foi num PAPO DE BOTECO em Itaparica que tive a honra de ouvir o desabafo do João Ubaldo Ribeiro, contando o flagra que sua esposa lhe deu, abrindo a porta do banheiro e presenciou a mais inusitada e patética cena, ele fazendo sexo manual, alguém curioso fez a pergunta de praxe, qual foi sua reação João Ubaldo? Como sempre ele calmamente respondeu, observei para a minha quase preferida esposa que estava fazendo amor com a pessoa que mais amo nessa terra..ou seja, ele mesmo.

No PAPO DE BOTECO existe as filosofias cabotinas, o velho do pastel, com seu copo de cachaça, observa o muquirana do gesso, com sua lata de cerveja,  declama: O homem é igual a uma lata, enquanto uma mulher chuta a outra cata.

No Bar do Zé Íris, dois amigos de farra, no PAPO DE BOTECO, pergunta qual a diferença da mulher, da laranja, e do jabuti? Um bêbado ouvindo essa conversa, escora no final do balcão, soluça, cospe, e resmunga totalmente assustado, ... eita miséra, tão chupando até o jabuti.

 

Nelson Rodrigues já dizia que A VIDA É A ETERNA PROCURA DE UM OUVINTE.

Dedico essa frase abaixo ao meu amigo e ex-frequentador do PAPO DE BOTECO o brilhante jornalista PAULO HENRIQUE.

O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade em que elas acontecem. Por isso acontecem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis, e pessoas incomparáveis.  ( Fernando Pessoa ) 

ISSO SÓ ACONTECE EM PAPO DE BOTECO...

 

                                                                 Liderico Meira dos Santos

 

Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autores.


Coluna de responsabilidade exclusiva do autor.

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