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A imprensa vive de credibilidade e por isso é
indispensável que haja crítica. Não há democracia sem crítica da
imprensa. E tem de ser desligada da opção política. É importante que a
crítica não seja feita com visão partidária. Obviamente, tenho
preferências políticas. Me perguntaram: "Qual é seu maior sonho
político?" Respondi que era ver a extinção dos partidos políticos.
Poderíamos ter um País organizado ideologicamente, voltado para um só
propósito, qualidade de vida para nós brasileiros. Faz mais sentido que
PSDB com PFL, PT com PC do B, etc. Pode ser utopia, mas é um caminho. O
que está faltando nesse País é um pouquinho menos de partidarismo. Temos
que pensar pra frente. A indigência política esta formando um paralelo
com a imprensa e isto é uma degradação, tanto por parte dos órgãos de
imprensa, como pela parte dos políticos que são fraturas expostas, não
aceitando sob nenhuma hipótese criticas contra os seus erros, e o único
meio para evitar as críticas é calando a boca do profissional de
imprensa com salário, ou pistolagem, assim presumem os políticos de
péssima índole. Eu lembro da minha adolescência, ia à Câmara dos
Vereadores, em Santa Cruz Cabrália, assistir aos debates. Sabia que
veria grandes tribunos, Wanderlei Nascimento, Liderico Meira dos Santos,
Antonio Thaumartugo. Hoje você não tem mais tribunos, de partido algum.
O político tem de ser grande orador. Se quer representar uma parcela da
população, precisa expressar o sentimento e saber ser um instrumento
dessa parcela. O nível baixou. É um processo que vem há décadas e chegou
num beco. A queda é geral. É o reflexo da nossa sociedade como também da
imprensa. O que vemos é um processo voluntário e entusiasmado de
degradação. Como se as pessoas dissessem: "Vamos nos degradar?" "Vamos!"
É um processo que vai distorcendo tudo. Não consigo me satisfazer
intelectualmente com a imprensa Eunapolitana, com duas exceções, estamos
diante de uma imprensa que promove futilidades absurdas. Estão
imbecilizando de maneira inaceitável a opinião pública - em relação a
tudo. Falta vontade de fazer coisas com qualidade. Falta esmero. Não
estou fazendo campanha contra esses jornais natimortos. Ao contrário, é
necessário para abastecer e renovar. Agora, eles não podem ficar sendo
apadrinhados, ou sendo a madéia de políticos inescrupulosos, que deixam
nascer a imprensa para o seu favorecimento. Precisa ter referências.
Esta faltando a opinião pública contribuir do ponto de vista teórico,
por que todo poder exige um contrapoder. Foi por isso que Montesquieu e
os americanos fizeram um Estado com três poderes: Legislativo, Executivo
e Judiciário, que se fiscalizam. E os americanos acrescentaram um quarto
elemento, a imprensa; isso em 1776. A imprensa tornou-se um poder. E,
portanto, precisa de um contrapoder, que não pode ser o Executivo, senão
é o fim da democracia. O Legislativo também não. Qual é, então? A
própria sociedade, a OPINIÃO PÚBLICA. Como pode um jornalista,
comentarista, radialista, ou qualquer bedel da imprensa, prestar
serviços remunerados ao Executivo ou Legislativo e ser imparcial? Claro
que não, o seu salário pago pelo erário público é o peso que
desequilibra o fiel da balança da honestidade e do bom senso. Essa
temporada de bajular o executivo e também o legislativo com maior
intensidade por alguns jornalistas ou radialista, começou nessa gestão.
Houve escândalos nos governos anteriores. No governo atual, porém, a
crise atual é intensa, nunca vi. A imprensa ganhou uma dimensão muito
grande. Mas também está provocando uma situação contrária a si mesma, o
que é salutar. Começa-se a discutir se a imprensa não está exagerando.
Minha preocupação é ver o comportamento da imprensa e, sobretudo, da
sociedade em relação aos veículos de comunicação, escrito e falado. É
isso que é o fenômeno novo. Devemos fugir do modelo da imprensa da
Venezuela, ou seja, imprensa controlada, isso é perigoso. Eu, mesmo por
intuição ou até mesmo por osmose jamais defenderia o chefe do
legislativo, pelo seu comportamento negativo que teve diante da
sociedade Eunapolitana. Isso demonstrou instinto do poder político e
econômico. Grana mesmo. Com isso teremos uma mídia eletrônica e digital,
disforme, capenga e também tendenciosa, desmantelando sua personalidade.
Enquanto a opinião pública não ser mais atuante, teremos uma mídia
eletrônica disforme, capenga, um trem fora da linha, sem serventia para
a maioria. Diria também tendenciosa...
Quando você ver passar um quase baixinho, quase carequinha, quase
barrigudinho, quase coroa, cuidado, lembra que:
¨Toda montanha de longe é azul...¨ |