Parecia o silêncio de quem estava na fila do recebimento da hóstia, tanto que o mestre de cerimônias ficava perdido na sala: - O mostrador do relógio de algarismo romano, marcava meio dia. Os trabalhos estavam iniciados. Mas, faltavam ainda alguns irmãos maçônicos. A sala do cerimonial com abóbada celestial pintada no teto, era um breu só. Talvez seja meia noite, a porta do templo foi maçonicamente fechada por mim... Sou o telheiro, e levanto a espada para dar pancadas na porta, quando de repente estoura o cano de descarga do carro popular, no estacionamento, começou a cair os quadros dos ex-veneráveis, as luzes piscam e a porta do templo se abre num rangido.
O velho telheiro continua o seu ritual, retira o casaco e a gravata do candidato e solicita-lhe que se despoje de todo dinheiro e objetos de metal ( menos dentaduras, pernas artificiais, piercing ). Isso é feito, diz-se ao candidato, para que, caso ele encontre um companheiro maçom "em situação aflitiva", se lembre de que foi recebido na ordem "pobre e sem um tostão" e aja com a compaixão apropriada, entretanto, é orientado para que use a cautela na hora de ser avalista. A perna esquerda das calças do candidato é enrolada até acima do joelho, o peito esquerdo é exposto ( esse gesto é para evitar que travesti siliconizado, faça parte da ordem maçônica ) e seu sapato direito é tirado e substituído por um chinelo, com o devido cuidado de vestir uma meia para evitar constrangimentos de odores fortes: no jargão maçônico, ele está "achinelado". Só os iniciados sabem com certeza qual é o sentido destas três últimas alterações no vestuário do candidato. No entanto, tem GOTEIRAS que dizem que alguns historiadores maçônicos sugerem que elas têm origem na Companhia de Jesus, da Igreja Católica e simbolizam, respectivamente, o voto de pobreza, a prova de que o iniciando não é uma mulher e um lembrete de como o fundador da ordem dos jesuítas, Inácio de Loiola, que tinha um pé defeituoso, começou sua peregrinação para catequizar os pagãos. Nisso aparece todo vestido de preto, pra variar, um saudoso político maçom, recitando Castro Alves - GADU! ó GADU! onde estás que não respondes? Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes? Embuçado nos céus? Mas não consegue concluir a declamação do tão famoso poema " Vozes D´África " porque surge das entranhas do templo, um locutor com sua voz de FM, interrompendo o poeta aos gritos: Se a Maçonaria não quer que eu fique, diga a todos que FUIIIII. Não Fico e grito: "Suplência ou morte!". Até hoje resmunga aos quatros cantos do universo que é suplente de maçom. Esta tentando fazer o Hino dos Maçons Baianos, o titulo será A REDE. Depois que as roupas do candidato estão adequadamente desarrumadas, o telheiro o venda “encobre", em termos maçônicos - para demonstrar seu "estado de trevas". Uma corda com um laço de correr, ou de reboque, é colocada em volta da garganta dele, por isso que nunca ouvir dizer que algum maçom tenha fugido da iniciação. O candidato, que nessa altura já está bastante rebaixado, (alguns vão até de fraldas, por precaução) é levado até a porta da sala principal, onde se confronta com o guarda interior - um oficial que barra sua passagem colocando-lhe contra o peito a ponta de uma adaga, aqui na Bahia é “pexêra” mesmo. Nos Estados Unidos, usam até mesmo revolver, 38, não muito tempo atrás mataram um achinelado. Depois de alguns instantes de tensão o candidato - ainda vendado - é levado à câmara para deparar-se com o mestre e os demais membros da loja. O noviço deve responder com precisão a uma série de perguntas rituais feitas a ele pelo mestre. Ajoelhado diante dele, o candidato jura não "revelar, escrever, ditar, marcar, gravar ou de qualquer outro modo delinear qualquer parte dos segredos da maçonaria". Se faltar com sua palavra, o candidato concorda em "ter minha garganta cortada, minha língua arrancada pela raiz e enterrada na areia do mar na marca da maré baixa". Se alguém encontrar um maçom sem esses órgãos, não foi esse que me contou essas coisas. Palavra de GOTEIRA. Depois de feito o juramento, o mestre ordena que a venda e o laço sejam removidos e explica o significado dos testes pelos quais o candidato acabou de passar. Revela então ao iniciando o passo, o sinal e o aperto de mão secretos de um aprendiz maçom admitido. Tal como é revelado em diversas descrições do ritual maçônico os gestos são, respectivamente: um passo curto com o pé..., trazendo o calcanhar... para debaixo...; a mão passada rapidamente sobre a guela; a pressão do polegar... de outro maçom ao apertar as mãos. Finalmente, é dita a senha secreta: " Se não fosse secreta eu diria.". Nesse instante entra Lula.... Calma não é o NOVE DEDOS, é o saudoso Lulinha “Cara de choro”, perguntando: - Quando começa o Copo D'água?. Alguém grita pra aumentar o som. Outra voz do outro lado da rua não concorda e reclama na hora, SOM ALTO É GESTÃO PASSADA. - Venham todos assinar o livro de presença - grita o irmão, batendo com a palma da mão no trono da chancelaria . Freqüência, presença e comparecimento: estes são os deveres do maçom. O venerável e mais dezesseis irmãos (dezesseis ou dezessete, já nem tenho mais certeza porque fizeram uma confusão danada com essa história) fundaram a Loja, construíram o templo. - - !!! Silêncio! Silêncio! Suspendam os sinais maçônicos! Temos um goteira entre nós! Irmão Guarda Interno, quem é esse quase cabeludo, espionando todos nós no teto? - Fique tranqüilo esse irmão é o responsável pelo gesso da cobertura, é o nosso telhamento anti goteiras. - Sois maçom? - Iniciei-me por correspondência, Venerável Mestre. - - Ah, eu pensei que o Irmão fosse membro da primeira Loja de Cabrália, " O BÊBADO E O EQUILIBRISTA", do Irmão Bovino. E o Irmão sabe a palavra senha? - - Sei, sim, Venerável Mestre: " Somos os Génericos"... |