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Desmotivação,
segundo Parreira |
19/11/2006 |
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Dizem que o Parreira entende de futebol e
que é um excelente técnico. Isso eu não sei. Mas uma coisa
eu sei e tenho certeza: ele não entende de gente e, muito
menos, de como motivar pessoas. Isso sempre me chamou a
atenção.
Das declarações, aos olhares de desprezo; da passividade
ao lado do campo, à incrível teimosia em fazer valer o seu
"sistema tático", mesmo quando as evidências demonstravam
claramente que estava errado, tudo me dizia que ele era um
competente desmotivador de equipes.
Com o mais espetacular time de jogadores da história do
futebol em suas mãos, ele conseguiu embotar a criatividade,
impedir a ousadia, matar os talentos individuais. Tudo e
todos deveriam subordinar-se à sua visão quadrada do
futebol. Sua arrogante certeza o fez declarar, após a
derrota, que não estava preparado para perder a copa do
mundo antes das finais e que a vitória da França deveu-se a
jogadores disciplinados que seguiram rigidamente um bom
"esquema tático", como que debitando a derrota a uma
possível desobediência dos craques brasileiros à sua
infalível quadradice.
Quais lições podemos tirar de nossa derrota?
A primeira lição é a de pouco adianta ter uma equipe de
incríveis talentos quando a liderança é fraca, desmotivadora,
surda e cega para a realidade e para as evidências que todos
insistem em falar e mostrar. Por melhores que sejam os
talentos individuais do grupo, líderes soberbos, arrogantes,
cheios de si, donos da verdade, não conseguem fazer um time
vencedor. Líderes que não vibram com seus liderados, que
não se emocionam, que não demonstram indignação com o erro e
entusiasmo com o acerto, desmotivam suas equipes.
Outra lição é a de que, para ser líder, não basta ser um
excelente "técnico". É preciso entender de gente, de seres
humanos, de pessoas. Ainda mais se o seu time for formado
de jovens que precisam, ainda mais, de um líder-pai,
líder-afeto, líder que ouça, que entenda, que dialogue.
Faltou à nossa seleção um líder. Talvez tenhamos tido um
técnico. Mas, de técnico para líder, a distância está em
vencer e perder uma copa do mundo.
Nesta semana, sugiro que você aproveite as lições de nossa
derrota para refletir sobre o que faz um líder vencedor.
Lembre-se que o verdadeiro líder é, antes de tudo, humilde e
faz com que seus liderados se desabrochem dando tudo de si
para que o time ganhe. E fazem isso porque têm um líder que
os motiva, que os empurra, que vibra mais do que seus
próprios liderados com cada vitória deles.
Pense nisso. Sucesso!
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