Há cerca de um ano, comprei uma impressora
multifuncional HP, modelo 1315, uma belezinha que levei para casa, feliz da
vida. Após instalá-la, a surpresa: não veio o cabo USB, fundamental para
conectar a impressora ao computador. Em minha ingenuidade de consumidor,
pensei que haviam esquecido de incluir o apetrecho na embalagem, afinal,
falhas acontecem. Voltei à loja e reclamei que a impressora havia sido
entregue sem o cabo, mas o vendedor me informou que isto é opcional.
Opcional? Então um cabo fundamental, que custa só cinco reais, não é
fornecido?
Uma empresa destas, internacional, cheia de
executivos com PhD, pós-graduação, MBA e tudo o mais faz isso com o
consumidor? Uma economia porca de cinco reais? Não pensam, estes gênios, que
o cliente pode morar a quilômetros de distância da loja ou que pode ter
comprado pela internet, que estará doidinho para ligar a impressora e terá
uma baita frustração, além do trabalho de voltar até a loja para comprar o
tal cabo? Se os custos, naquela infindável busca por eficiência, e dane-se o
consumidor, estão tão apertados assim, por que não acrescentam o valor do
cabo no preço total do produto? É muito melhor do que ter um freguês
furioso. Na pior hipótese, se as coisas estiverem mesmo muito difíceis, e os
lucros muito comprimidos, apenas para não fazer o público pagante de bobo, o
fabricante poderia pôr um aviso bem grande na embalagem: atenção, cabo USB
não incluso!
Daqui a algum tempo, quando for preciso
enxugar mais ainda os custos, eles poderão deixar de fornecer os cartuchos,
que, pela mesma lógica, podem ser considerados opcionais, não é mesmo?
Aliás, o que parece é que os fabricantes vendem as impressoras barato para
poderem cobrar caro, muito caro pelos cartuchos.
A respeito disso, recebi um e-mail
muito legal de uma leitora de Pelotas (RS), intitulado “R$ 6.000 o litro,
sabe o que é?” Não, não é nenhum vinho especialíssimo, nem tampouco algum
outro produto exclusivo; trata-se de algo banal, tinta para impressoras.
Segue, abaixo, um resumo do texto recebido:
Antigamente, as impressoras eram caras e
barulhentas. A primeira impressora doméstica barata, a Elgin Lady 80, era
bonita, minúscula e lenta, mas mesmo assim acessível. Com o advento das
impressoras a jatos de tinta, o mercado matricial doméstico morreu mais
rápido que os dinossauros, pois todos foram seduzidos pela qualidade,
velocidade e facilidade de uso da Canon BJ600 ou da HP Deskjet 420C, entre
outras.
Aí, veio a grande sacada dos fabricantes:
oferecer impressoras cada vez mais baratas, e cartuchos cada vez mais
caros. Nos casos dos modelos mais em conta, o conjunto de cartuchos pode
custar mais do que a própria impressora, e
pode acontecer de compensar mais trocar a
impressora do que fazer a reposição de cartuchos, veja: Uma
impressora jato de tinta Z647 Lexmark
é vendida nas principais lojas por R$179,90. A reposição dos dois cartuchos
(com 5,5ml de tinta o preto), fica em torno de R$149,90, preço promocional,
apenas R$ 30,00 a menos que a impressora!!
Enquanto a indústria de recarga viceja,
vemos HP, Epson, Canon e Lexmark jurando que a tinta deles é melhor e que
você não deve recarregar. Ora, o pigmento da tinta preta é o “negro
de fumo” material baratíssimo, derivado de petróleo usado na fabricação de
pneus, por exemplo – é a mesma fuligem que sai do escapamento dos veículos
desregulados.
Um cartucho HP, com míseros 10ml de tinta
custa R$55,99. Isso dá
R$5,99 por mililitro.Quase R$ 6mil por um
litro de tinta!
Cartuchos recarregados a R$ 20,00, com muito
mais tinta do que os originais, não são infinitamente recicláveis, mas dá
para recarregá-los três ou quatro vezes. De quebra, consome-se menos
plástico, poupando o planeta.