Luiz Leitão

 
Luiz Leitão - Colunista e colaborador do Sitepopular
luizleitao@ebb.com.br

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Coluna

08/03/07 - Sitepopular /Luiz Leitão/Colaborador

Agruras de um consumidor

 

Há cerca de um ano, comprei uma impressora multifuncional HP, modelo 1315, uma belezinha que levei para casa, feliz da vida. Após instalá-la, a surpresa: não veio o cabo USB, fundamental para conectar a impressora ao computador. Em minha ingenuidade de consumidor, pensei que haviam esquecido de incluir o apetrecho na embalagem, afinal, falhas acontecem. Voltei à loja  e reclamei que a impressora havia sido entregue sem o cabo, mas o vendedor me informou que isto é opcional. Opcional? Então um cabo fundamental, que custa só cinco reais, não é fornecido?

Uma empresa destas, internacional, cheia de executivos com PhD, pós-graduação, MBA e tudo o mais faz isso com o consumidor? Uma economia porca de cinco reais? Não pensam, estes gênios, que o cliente pode morar a quilômetros de distância da loja ou que pode ter comprado pela internet, que estará doidinho para ligar a impressora e terá uma baita frustração, além do trabalho de voltar até a loja para comprar o tal cabo? Se os custos, naquela infindável busca por eficiência, e dane-se o consumidor, estão tão apertados assim, por que não acrescentam o valor do cabo no preço total do produto? É muito melhor do que ter um freguês furioso. Na pior hipótese, se as coisas estiverem mesmo muito difíceis, e os lucros muito comprimidos, apenas para não fazer o público pagante de bobo, o fabricante poderia pôr um aviso bem grande na embalagem: atenção, cabo USB não incluso!

Daqui a algum tempo, quando for preciso enxugar mais ainda os custos, eles poderão deixar de fornecer os cartuchos, que, pela mesma lógica, podem ser considerados opcionais, não é mesmo? Aliás, o que parece é que os fabricantes vendem as impressoras barato para poderem cobrar caro, muito caro pelos cartuchos.

A respeito disso, recebi um e-mail muito legal de uma leitora de Pelotas (RS), intitulado “R$ 6.000 o litro, sabe o que é?” Não, não é nenhum vinho especialíssimo, nem tampouco algum outro produto exclusivo; trata-se de algo banal, tinta para impressoras. Segue, abaixo, um resumo do texto recebido:

Antigamente, as impressoras eram caras e barulhentas. A primeira impressora doméstica barata, a Elgin Lady 80, era bonita, minúscula e lenta, mas mesmo assim acessível. Com o advento das impressoras a jatos de tinta, o mercado matricial doméstico morreu mais rápido que os dinossauros, pois todos foram seduzidos pela qualidade, velocidade e facilidade de uso da Canon BJ600 ou da HP Deskjet 420C, entre outras.

Aí, veio a grande sacada dos fabricantes: oferecer impressoras cada vez mais  baratas, e cartuchos cada vez mais caros. Nos casos dos modelos mais em conta, o conjunto de cartuchos pode custar mais do que a própria impressora, e

pode acontecer de compensar mais trocar a impressora do que fazer a reposição de cartuchos, veja: Uma impressora jato de tinta Z647 Lexmark é vendida nas principais lojas por R$179,90. A reposição dos dois cartuchos (com 5,5ml de tinta o preto), fica em torno de R$149,90, preço promocional, apenas R$ 30,00 a menos que a impressora!!

Enquanto a indústria de recarga viceja, vemos HP, Epson, Canon e Lexmark jurando que a tinta deles é melhor e que você não deve recarregar. Ora, o pigmento da tinta preta é o “negro de fumo” material baratíssimo, derivado de petróleo usado na fabricação de pneus, por exemplo – é a mesma fuligem que sai do escapamento dos veículos desregulados.

Um cartucho HP, com míseros 10ml de tinta custa R$55,99. Isso dá

R$5,99 por mililitro.Quase R$ 6mil por um litro de tinta!

Cartuchos recarregados a R$ 20,00, com muito mais tinta do que os originais, não são infinitamente recicláveis, mas dá para recarregá-los três ou quatro vezes. De quebra, consome-se menos plástico, poupando o planeta.

 
 

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