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A Lei Seca está aí, com tolerância praticamente zero para
a presença de álcool no sangue de motoristas, e muita gente deve estar
preocupada com a possibilidade,
ainda muito baixa, de ser flagrada
dirigindo sob efeito de bebidas, não só pelo alto valor de multa
(R$955,00), mas, principalmente, pelo risco de ser presa em flagrante. O
novo limite é exageradamente baixo, poderia muito bem ter permanecido em
0,6mg, e a pena de prisão é um exagero, por que não substituí-la por
prestação de serviços comunitários?
Acabaram com a alegria do brasileiro, não se pode nem
mais tomar um chope com os amigos em paz, dirão muitos. Mas o fato é que
vários países vêm diminuindo as taxas aceitáveis de álcool no sangue de
condutores de veículos, e a medida é correta por reduzir os acidentes
com mortos e feridos, aliviando os gastos públicos com o socorro e
tratamento das vítimas; assim, o dinheiro destinado à área da saúde
poderá melhor aproveitado.
Notícias de pessoas reprovadas no teste do bafômetro por
terem usado anti-séptico bucal causam preocupação, e mesmo o consumo de
bombons com licor podem trazer problemas, por uma razão muito simples: a
presença de etanol na boca pode alterar a medição em prejuízo do
motorista. Por esta razão, os testes devem ser realizados na chamada
fase pós-absortiva, e convém exigir do policial a espera de trinta
minutos após a detenção para se submeter ao bafômetro e obter um
resultado confiável.
Mas há outra armadilha nesta história, para a qual é
preciso ficar muito atento: o tempo de eliminação do álcool do
organismo. O fígado só consegue metabolizar dez gramas, ou uma unidade,
de etanol por hora, de maneira que não basta esperar algum tempo para
que passe o efeito da bebida, pois a eliminação total se faz entre seis
e 48 horas.
Portanto quem, no dia seguinte, acorda de um porre
homérico, não deve pensar que não tem mais nenhum vestígio de álcool no
corpo.
Ora, as pessoas que bebem socialmente não irão deixar de
fazê-lo, e para evitar problemas com a lei – não convém levar em conta
que a maioria das cidades não conta com um bafômetro sequer, porque o
alto valor da multa deverá estimular as prefeituras a adquiri-los –
pode-se usar como orientação esta tabela: Uma dose é igual a uma unidade
de álcool, que contém dez gramas, equivalente a um copo de cerveja; meia
dose de uísque, cachaça ou vodca; um copo de vinho, taça de champanhe ou
copinho de licor.
Cada uma destas doses ou unidades leva uma hora para ser
eliminada do organismo, e as concentrações sangüíneas sempre
apresentarão alguma variação, dependendo do estado nutricional, peso,
sexo.
Mais do que a multa, a possibilidade de ser preso e
processado deve ser levada em conta. Pode-se ser solto mediante o
pagamento de fiança, mas responder a processo criminal é algo que,
definitivamente, não convém. |