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O deputado Sérgio Ivan Moraes (PTB-RS), embora até ontem
ilustre desconhecido do público em geral, não é nenhum neófito em
política – “tenho sete mandatos e seis filhos, minha mulher é prefeita
(Kelly Moraes, de Santa Cruz do Sul-RS)”.
Fundador do partido no Rio Grande do Sul, duas vezes
prefeito de Santa Cruz do Sul, dois mandatos de vereador e deputado
estadual, Moraes estreou na Câmara dos Deputados na atual legislatura.
Com toda essa bagagem nas costas, o moço cometeu o
desatino de pisotear o princípio básico segundo o qual o voto não aceita
desaforo que não venha cuidadosamente embalado com o papel do eufemismo,
ao bravatear que está se lixando para a imprensa e a opinião pública,
esquecendo-se que foi o conceito que o respeitável público tinha a seu
respeito que lhe permitiu angariar os sete mandatos dos quais se jactou
perante um País atônito com a falta de lhaneza do até então incógnito
emergente do baixo clero.
Motivo suficiente para que evitasse a grosseria, no
mínimo em observância às preferências da maioria dos seus 86.299
eleitores que certamente reprovam a sua aguerrida defesa do deputado
mineiro Edmar Moreira e muito apreciariam vê-lo julgado com a pitada de
isenção que o relator Moraes recusa à causa quando despreza sumariamente
os argumentos da comissão de sindicância.
Foi assim, com esse quê de arrogância que o deputado
mineiro dono do castelo cuja posse era mantida longe das vistas do fisco
acabou apanhado na malha fina da opinião pública e, por conseguinte
expulso do Partido Democratas, corre o quase desprezível risco de perder
o mandato, e acaba de tornar-se réu em ação penal pela suposta autoria
de crimes contra a ordem tributária e de apropriação indébita de
contribuições previdenciárias, em decisão unânime dos ministros do
Supremo Tribunal Federal.
A virulência verbal do deputado Moraes em sua investida
contra tudo e contra todos os que ousam exigir-lhe um mínimo de
transparência e imparcialidade no julgamento de um de seus pares,
misturando alhos e bugalhos - “Pouca
vergonha são aqueles que nunca concorreram a nada se intitularem
patronos da ética e da moral, é um jornal que não recolhe impostos, é
bater no trabalho infantil e usar crianças em novelas" – foi uma
deplorável demonstração do conceito de “posse” que alguns parlamentares
têm do mandato de representação popular.
O espetáculo
só não foi mais degradante graças aos dois outros integrantes da
comissão de sindicância, Hugo Leal (PSC-RJ) - "Tem de dar continuidade
ao processo. Estou esperando um plano de trabalho. Este é um colegiado
que analisa a conduta ética do deputado" – e José Carlos Araújo
(PR-BA), presidente do Conselho - "a obrigação do Conselho é apurar
tudo que está na representação da Mesa Diretora, feita com base na
comissão de sindicância". |