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Garibaldi (RS) - Vindo de
Verona, na Itália, o tataravô do vinicultor Jorge Mariani chegou a Garibaldi
(RS) há 122 anos. Na propriedade onde, até hoje, Mariani produz vinho, há
parreiras que contam essa história de dedicação à terra: elas têm 110 anos
de idade.
Os políticos brasileiros poderiam aprender uma coisa com os agricultores:
que, para se colher, tem todo um ritual a ser feito antes", diz ele.
Mariani dedicou os últimos sete anos da vida ao trabalho voluntário de
presidir a Cooperativa dos Produtores Ecológicos de Garibaldi (Coopeg). Ele
acredita que os políticos deveriam ter o mesmo tipo de dedicação ao bem
coletivo.
"Hoje em dia, é difícil, o pessoal parece que só se preocupa com cargos e
dinheiro", lamenta. "A maioria dos agricultores familiares no país trabalha
a vida inteira e não consegue ganhar o que um político ganha num ano."
A criação da cooperativa e a produção de vinho orgânico foram alternativas
que ele encontrou para concorrer num mercado cada vez mais difícil. Se
produzisse vinho comum, individualmente, teria de aceitar os preços impostos
pelas grandes indústrias ou concorrer, sozinho, com vinho falsificado ou
contrabandeado, que, evidentemente, tem preços inalcançáveis para quem se
dispõe a trabalhar honestamente.
Nos sete anos desde que iniciou a produção do vinho orgânico, Mariani jamais
teve acesso a crédito oficial. Fez tudo com capital próprio e, para
conseguir auxílio público para o projeto, na forma de assistência técnica,
por exemplo, conta que teve de enfrentar descrédito. "Na própria Embrapa, no
começo, tinha gente que dizia que a idéia era inviável", conta. Hoje, a
Coopeg já obtém apoio técnico em diversos níveis.
Mariani reconhece que é um privilegiado: tem produtos com grande demanda e,
portanto, alta capacidade de gerar o capital de que ele necessitou para
investimento. Hoje, com o vinho e as uvas cultivadas no sistema ecológico,
Mariani consegue uma renda mensal que ele estima entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil
mensais – isso numa área cultivada de 9 hectares.
O produto de Mariani tem um mercado diferenciado, em ascensão, com preço
melhor (30 a 35% superior ao vinho comum), poucos concorrentes – e, melhor,
inalcançável para quem produz em larga escala. Hoje, 23 outros produtores da
região participam da cooperativa.
Apesar do futuro promissor para a cooperativa, Mariani está preocupado com a
viabilidade futura do negócio: ele e seus parceiros têm que arcar com uma
carga tributária semelhante à que é aplicada aos grandes produtores de vinho
convencional. "Não acho isso justo. Como pequeno produtor familiar e, ainda
por cima, de uma agricultura orgânica, que não polui e preserva o meio
ambiente, eu deveria poder pagar menos impostos."
Cheio de esperança na terra onde nasceu e na parceria que está construindo
com os vizinhos, Mariani só anda mesmo desanimado é de continuar cumprindo
com suas obrigações como contribuinte enquanto vê tanta notícia sobre
denúncias de corrupção e desvios de dinheiro público. "Essas coisas aí
acabam desacreditando. Eu fico com muito receio em quem votar. Vou colocar
mais um só pra enriquecer a poupança dele?"
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