*Crônica publicada no "Estado de S.Paulo", em 1988, e extraída do site www.marioprataonline.com.br
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SP BLOG | ||||||||
06/10/2008 - Mário Prata* | ||||||||
Eleições sem graça | ||||||||
As eleições, para mim, perderam a graça. Tudo por culpa do modernismo eletrônico e da televisão. Em primeiro lugar, não se fazem mais comícios como antigamente. Em praça pública. No palanque da praça central. Na minha cidade, tinha um palanque que era fixo. Ali ficavam as autoridades nos desfiles cívicos e militares. Ali, cantores do rádio vinham encantar a gente. E, nas eleições, era dali que a gente via o Adhemar de Barros gritar: "Enquanto eu estou aqui, a minha mulher está na zona de Jaú". Ou o Jânio que passava pela cidade no último vagão da Noroeste do Brasil, tirava um sanduíche do bolso e mandava bala. Como gritavam os políticos d'antanho. Tinha cidade onde o alto falante nem sempre funcionava. Chiava. O jeito era ir no grito, no peito e na raça. Ainda hoje em dia, vendo os velhos políticos, noto que eles não perceberam que os microfones funcionam e continuam a gritar como se estivessem na década de 40 ou 50. Mesmo na televisão, eles agem como se estivessem nas públicas praças. Agora tem o horário político. Devo confessar que adoro. Principalmente os candidatos a vereadores. De tão hilários, deveriam ter mais espaço na telinha. Um deles, lá de Sorocaba, travesti, dizia: "Não preciso do seu voto. Minha clientela me elege". E dava o ponto na rua tal, esquina com tal. Adoraria ver a bicha num palanque rodando a baiana e apontando os seus clientes na platéia. O horário político, foi feito para eles entrarem nas nossas casas. Mas não entram, só espiam. Depois inventaram as carretas, as passeatas, os panelaços e outras palhaçadas. Você vê o seu candidato passando correndo pela sua rua. A impressão é que eles estão correndo para outro bairro. Depois, tem a mala direta. Não sei onde esses caras arrumam o endereço da gente. Mas todo dia chegava de dois a três envelopes, cheios de santinhos. Pelo menos é bom para rascunho. E os erros de português, que maravilha. Tinha um que começava assim: "fazem oito anos que"... Ou seja, não dá para ler até o fim. Mas o mundo mudou e a lusitana continuou a girar. Tudo bem, sejamos modernos. Mas, depois chega a apuração. Era aqui que eu queria chegar. Com essa coisa de querer fazer apuração de primeiro mundo, perdemos a graça do nosso maravilhoso terceiro mundo. Urna eletrônica. Todo mundo aplaudiu e é mesmo gostoso apertar aqueles botõezinhos e pronto. Foi um sucesso. Monteiro Lobato, Elis Regina, Machado de Assis e Grande Otelo foram exumados, sem autorização das famílias e voltaram às nossas telas. Mas o mais grave de tudo, foi a rapidez da apuração. Perdeu a graça, gente. Tinha coisa melhor do que você ficar em casa diante do rádio ouvindo aquelas intermináveis apurações, com papelzinho e lápis na mão, anotando tudo? Dias e mais dias, noites, madrugas, torcendo, anotando, como se fosse uma classificação do brasileiro de futebol. Fulano crescendo, beltrano caindo nas apurações da zona leste, por exemplo. Nas suas casas e diretórios, os candidatos também sofrendo, torcendo, fazendo contas impossíveis. Durava mais de uma semana o lúdico sofrimento. Era bom demais. Agora, não. Quatro ou cinco horas depois, já se sabe quem ganhou. Qual é a graça? Onde fica o espírito de competição, o espírito esportivo? Antigamente uma eleição era decidida em dias, semanas. A gente sofria, torcia, apostava. Agora ficou uma caca. Tinha subornos, sacanagens, votos preenchidos pelos próprios mesários. Protestos, processos, denúncias. Agora, não. Está tudo certinho. Parece com os Estados Unidos. É isso que eles queriam. Um dia, por engano, ainda vamos eleger o Clinton. Ou não será por engano? Sei que, dentro de alguns anos, não vamos nem precisar ir até ao colégio para votar. Vamos votar de casa mesmo, através da internet. Mas quer coisa mais gostoso do que sair de casa, entrar pra votar, pegar uma filinha, encontrar amigos, tomar uma cervejinha em casa depois? Será que vai ter boca de urna dentro da casa da gente? Os lixeiros vão adorar, é claro. É por essas e outras que o FH se alia ao Maluf, seu velho inimigo na época da ditadura. Que vergonha, meu Deus. Não temos mais eleições, nem apuração e nem Partidos mais no Brasil. Os Partidos estão irremediavelmente partidos. Tudo é luta pelo poder. Aliás, a esquerda velha sempre gostou de um cargo. E, quando consegue, não quer largar. Pior que uma eleição de primeiro mundo, só mesmo uma reeleição de terceiro mundo. O Fujimore entende dessas coisas. Tecnicamente pra frente. Politicamente pra trás. Dá pra rir? Dá. A eleição brasileira acaba de entrar na menopausa. | ||||||||
*Crônica publicada no "Estado de S.Paulo", em 1988, e extraída do site www.marioprataonline.com.br | ||||||||
01/10/2008 - José Jorge Tannus Jr. | ||||||||
| Marketing político cria produtos eleitorais | ||||||||
Em ano eleitoral o cidadão é bombardeado com informações a respeito da vida dos políticos que mais se destacam na disputa pelos Um grande número de pessoas seduzidas pela possibilidade de integrar o poder legislativo ingressam nos quadros políticos sem qualquer preparação para a gestão pública acreditando que possam modificar a condição, muitas vezes sofrida, daquela população em que se incluem. Política no Brasil é sinônimo de poder, ascensão social, algumas vezes, enriquecimento e esta é uma realidade que nós eleitores precisamos modificar. Aliás, somente o eleitor tem a capacidade para mudar este conceito. Somente o eleitor tem o poder para moralizar as administrações e os administradores da coisa pública. Afinal, a "coisa pública" é nossa, é do cidadão, do indivíduo, o governo do estado, do município nos pertencem e devem nos servir. Em períodos eleitorais, ao invés de obtermos informações mais precisas sobre a formação de cada candidato, seus projetos, sua integridade moral, ética, sua preparação técnica, profissional ou mesmo intelectual, discutimos sempre as mesmas iniqüidades, quem apóia quem, quem é melhor que o outro, o meu partido é melhor que o seu, fulano não presta, cicrano é corrupto, beltrano deve na praça, enfim assistimos a um verdadeiro "pipocar" de asneiras que não contribuem para o fortalecimento da democracia. É verdade que é importante conhecermos os antecedentes dos candidatos, mas e a justiça eleitoral e o ministério público, não são os verdadeiros responsáveis pela homologação das candidaturas e pela salva-guarda dos interesses públicos. São eles que permitem que o candidato dispute uma eleição dando-lhes o atestado de idoneidade para tal. Nós, cidadãos precisamos entender o quanto somos importantes no processo eleitoral e a força que temos. É comum elegermos políticos para determinados cargos e imediatamente após sua diplomação sermos abandonados, perceber que as "promessas" de campanha só serviram para iludir o "ingênuo" e "insignificante" eleitor. Comum é escutar após as eleições, como em um coro uníssono a seguinte frase: "Errei de novo!". Vamos acertar. Vamos entender o que a propaganda e as ações de marketing podem realmente significar. A prática tem demonstrado que, apesar dos limites para os financiamentos das campanhas estarem estipulados pela Lei, ela não é cumprida. A falta de ética e a mentira estão consagradas pelo "jeitinho" nas falsas apresentações dos gastos de campanha que Vamos mudar essa realidade, vamos votar em candidatos que tenham compromisso, vamos nos envolver no processo eleitoral sem paixões com "espírito cidadão" apoiando propostas e candidatos que possamos cobrar, reivindicar, questionar, independentemente do poder econômico que o fantasie de "herói popular". O marketing e a propaganda têm como foco principal o produto, o consumo, as relações existentes entre tantos outros elementos que compõem o complexo mundo da comunicação, os candidatos são tratados como produtos. Produtos têm estratégia de vendas, mudança e ou adaptação de sua embalagem para agradar ao consumidor, localização bem escolhida para maior visualização e facilidade de compra, e muitos estudos meticulosos para transformá-lo no campeão de vendas. Cidadania não é um rótulo efêmero, os candidatos são pessoas e não produtos, votar consciente é um dos caminhos mais seguros para que o povo promova a grande transformação de nossa sociedade gerando os meios para que o marketing e a propaganda recuem à posição de ferramentas de divulgação e não à de incontestáveis formadoras de opinião pública. | ||||||||
José Jorge Tannus Jr. - Mestre em Comunicação, Administração e Educação - professor de Ética e Legislação Publicitária do Centro UNISAL - Americana. | ||||||||
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29/09/2008 - Postado por Rui | ||||||||
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Eunápolis: Carros de som faz do ouvido alheio PENICO | ||||||||
Jamais se viu tanta esculhambação como a praticada pelos carros de som dos políticos de Eunápolis. As músicas idiotas os discursos sem sentido, as promessas mentirosas, tudo isso é enfiado no ouvido do eleitor como se fosse penico. Prestem atenção que alguns motoristas dos carros usam no ouvido um mp3, para não ouvir o que está sendo veiculado, não é uma sacanagem... chega! | ||||||||
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